
Primeira sensação: dor de cabeça. Segunda sensação: frio. Terceira sensação:
-- Mas onde é que eu estou afinal!!!!!!!!!!!!! Larguem-me… “coisos”! Ai, que nojo, afastem-se de mim! ARGGG! Deixem-me sair! Onde está o Peter!?? Vais-me dizer agora, sua, sua… Eu nem digo, porque não sei a tua idade, mas vai-me responder imediatamente! Onde está o Peter????? Diz-me!!!!!

Os monstrinhos muito fofinhos e adoráveis, para além de estarem nus (EWWWWWWWWWWWWW) (para quem não percebeu tou a ser sarcástica) agarravam-me com tanta força, que parecia que me queriam arrancar o braço. Eu debatia-me mas sem sucesso.
-- Vá lá, fala, diz qualquer coisa! Nem que seja um palavrão! Eu aguento!
Mas nada. A única coisa que saía da boca dela era isto:
-- Sava Nyerily, sava.-- (que raio de língua é esta!!!!!!!!!)
E a calma invadiu-me outra vez. Era tudo tão estranho! Parecia que estava sobre o efeito duma droga. Tentava debater-me mas já não encontrava razão nem forças para isso. Os olhos da mulher flutuavam na minha mente, e eu não tinha pensamento próprio para os conseguir expulsar. Estava parada no espaço e no tempo, olhando para o palácio que se mostrava imponente à minha frente, sem verdadeiramente o estar.
Os mostrinhos tinham desaparecido, já nada me segurava, o que era um verdadeiro alívio.


Segui atrás da mulher (quase a cair para o lado) e entramos no palácio (demasiado obscuro para o meu gosto, mas nessa altura nem pensei em discutir). Segui-mos um longoooooo corredor, até a mulher parar em frente a uma porta. Senti o cheiro a comida acabada de fazer. A mulher disse mais algumas palavras esquisitas e bateu palmas. As portas abriram-se em duas, e eu (á falta de palavra melhor) digamos que fiquei patareca (mais do que estava).

A sala era gigante, o tecto era para aí três vezes maior que os habituais, decorado com desenhos de baixo relevo. No meio tinha uma mesa comprida, coberta de iguarias (surpreendente a mulher devia ser que eu era vegetariana, pois a mesa estava coberta de saladas e o cheirava-me imenso a tofu). A mulher indicou-me uma cadeira e eu sem resistir, sentei-me logo, sentindo-me afundar naquele tecido fofo.

-- Serve-te, querida.
Peguei num prato e logo ataquei a comida, estava deliciosa, dava-me energias e num passado dois minutos já estava cheia (olhem eu a ser “hiperbólica”).
E finalmente a mulher falou alguma coisa de jeito:
-- Agora que estamos aqui já bem alimentados e bem dispostos – (pois, pois, bem dispostos, só se fores tu!) – já te posso falar com mais calma. Deves questionar a minha identidade. Pois, eu sou Neryssa, filha de ninguém, criada por ninguém, tão velha como próprio tempo e espaço, como a própria terra que pisas. Estive aqui durante todas as eras, durante todos os reinos e observei com os meus olhos, mais que coisas que qualquer ser humano alguma vez terá visto. Podes considerar-me uma sábia – fez uma pausa, olhou para o meu rosto de admiração total e continuou – também te deves questionar onde estás; neste momento encontras-te em Molih, mais conhecido aqui nas redondezas por reino negro, saber-se-á lá porque. – sorriu. – Tens mais algumas questões que me queiras perguntar?

-- Neryssa, ou lá como te chamas, só queria saber de mais duas coisas: mas PORQUE RAIO ME TROUXESTE AQUI? E ONDE ESTÁ PETER??? – estava num tal estado de fúria que derrubei a cadeira de onde estava sentada.

-- Vejo que ainda não te acalmaste o suficiente. Por favor volta a endireitar a cadeira e senta-te para podermos voltar a conversar com calma.
-- EU NÃO QUERO TER CALMA! SÓ QUERO SAIR DAQUI! Por favor…
-- Não te poderei responder se não te sentares e me ouvires com atenção – sentei-me, claro, agora tinha todo o tempo do mundo, por isso… -- Pronto assim está melhor, vês? Bem, a primeira pergunta, receio que não possa existir resposta que tu compreendas sem muito tempo de explicação, e de mais paciência, por isso digamos que fica para mais tarde… A segunda não digo o mesmo; Peter está bem, e de boa saúde. Por agora, pois tenho muitas habilidades, mas ainda não consigo ver o futuro…
“Chega de conversa. Não posso permitir que um convidado meu entre no meu palácio sem uma festa de boas vindas! – voltou a dizer umas palavras esquisitas outra vez.
Nem tempo tive de pestanejar e de pensar “a mulher não é boa da cabeça!”, pois no milésimo de segundo seguinte (sem ser “hiperbólica”), a mesa tinha desaparecido, e as minhas roupas sujas e nojentas, juntamente com o penteado (que tava no mesmo estado), foram substituídas por um longo vestido branco, e o meu cabelo foi preso num penteado elegante e parecia ter ficado mais “apresentável”… Na cara sentia um peso estranho. Levei as mãos aos olhos e senti uma máscara. Mas não era só eu que estava modificada. Também à minha volta tudo estava diferente. Mais pessoas tinham entrado na sala, todas vestidas de modo estranho (já ninguém segue a moda hoje em dia ai ai) e também com máscaras parecidas com a minha. Deduzi que era um baile de máscaras. Neryssa tocou-me no ombro, e disse que eu podia dançar e me divertir, podia falar com quem quisesse, desde que não tocasse nos convidados.


Andei por ali à deriva, falando com os convidados, (eram todos extremamente belos e falavam com uma educação exagerada) até que reparei numa coisa que até não chamava a atenção, até começar a ouvir os milhares de “psst!” que vinham de lá.

Ele não parecia muito à vontade, andava à deriva como eu, ao contrário dos outros…
Depressa chegou até mim e sussurou-me:
-- Vais ter de sair daqui. Agora! Vem comigo.

Nem tive tempo de responder, já estava Neryssa a correr para nós:
-- Bem, bem mas o que se passa aqui afinal. Olhem quem chegou… – disse ela com um sarcasmo evidente de quem sabe já sabia a resposta.
-- Bruxa velha, tu bem sabes o que fizeste! Tu nem tens o direito de ficar com Nyerily!Ela só deveria pôr os pés nesta terra quando tivesse 18 anos, ela pertence ao rei, por direito. Tu conheces bem a profecia…

-- E quem és tu, Arutha, para pensares que o rei, agora tem mais poder que eu!?
-- Fui destacado para ser protector de Nyerily, enquanto estiver vivo. Não és tu que me vais tirar essa missão. – olhou para ela com uns olhos, e falava com uma pose dignos de um príncipe.
E enquanto eles andavam numa “conversa” fiada, sobre quem ficava com a Nyerily qualquer coisa, eu esgueirava-me daquele sito, tentando encontrar a porta. E foi aí que fiz asneira da grossa.

Digamos que tropecei e que caí por cima de um dos convidados (que pareciam indiferentes com a cena que se passava entre aqueles dois).
Ouvi dois gritos: um do rapaz que discutia, notando-se um grande NÃOOOOO de aflição, e outro de terror vindo da mulher que caí por cima. Virei-me para a mulher e gritei bem alto:
-- Porra! Que não era preciso tanto berreiro! Peço desculpa, sua alta realeza, se magoei o seu pezinho, mas agora não tou com pachorra para andar a aturar aspirantes a futuras Floribelas/Chiquititas/Patty’s! Por isso, saia-me da frente e…
Nem tive tempo de acabar a frase, algo de estranho se passou. Sabem aqueles momentos em que tudo passa em câmara lenta, mas depois foi só 2 segundos? O que aconteceu exactamente foi: toda a luz desapareceu da sala, as pessoas transformaram-se em vultos fantasmagóricos, ouvi um grito estridente vindo da boca de Neryssa e senti a mão do rapaz a agarrar-me o pulso e a puxar-me dali para fora. A única coisa que pensei foi: “Tou feita”
Da autora .-.:
Eu sei tá horrível, nem me digam nada...
Felizmente consegui postar antes de domingo, sabe lá deus como, eu aqui a postar com um sono, que quase adormeço em frente ao computador mas paciencia. Consegui!
E agora vou-me retirar para ir morrer de exaustão para outro lado, sem ser em cima do computador.
Deg deg








